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Abadia

Em Abril de 1917 foi inaugurado no Palácio Foz, então propriedade dos condes de Sucena, um estabelecimento denominado Pastelaria Foz, propriedade da firma Leitão & Cª. Ocupava diversas dependências do andar térreo e também a cave, onde ficou instalado um restaurante anexo, a “Abadia”.

Esta obra, só conserva hoje menos de metade da sua área original, em que o “revivalismo” de sabor medieval europeu, aparece metamorfoseado na atração por um manuelino sobrecarregado de formas e repassado de elementos simbolistas.

A identificação dos seus criadores confere, desde logo, considerável prestígio à obra. Deve-se o traçado a Rosendo Carvalheira, um dos mais consagrados arquitetos do seu tempo.

A Pastelaria Foz ocupava grande parte do andar térreo do Palácio sendo servida por três das cinco portas da fachada (já demolidas), executadas por Domingos Costa em cantaria e ferragens, ornamentadas com motivos zoomórficos e de carácter vegetalista. Nelas trabalharam igualmente Jesus Peres Mora, Emílio Campos e elementos das oficinas Jacob Lopes da Silva & Cª.

O salão da pastelaria, que também já não existe, era um pastiche concebido ao gosto Luís XV e rocaille, por Viriato da Silva, com a colaboração do escultor José Neto.

A Abadia subsiste ainda, e está dividida em três partes – o CLAUSTRUM, o REFECTORIUM (inspirado nos claustros do românico cisterciense peninsular) e as “celas”, pequenas dependências de carácter reservado suspensas sobre o “Claustrum”.

O carácter insólito destas dependências, carregadas de elementos decorativos revivalistas, foi executado por escultores como Costa Mota e José Neto, pintores como Domingos Costa, Luís Borges e José Bazalisa que não hesitaram em criar novas colunas “toscanas” com capitéis dourados em cujas folhas de acanto se entrevêem cenas das fábulas de La Fontaine, tramos de naves góticas com colunatas policromadas, encordoados manuelinos asfixiando grifos e dragões, recolhidos de sagas escandinavas. Nas cachorradas do “Refectorium” representaram bustos de personalidades decerto bem conhecidas na época (algumas ostentam símbolos de lojas maçónicas), e nas mísulas do “Claustrum” associaram aos temas clássicos cabeças de elefante de trombas entrelaçadas.